Anarchy Power!!!
Os Verdadeiros Punks Ainda Não Morreram!!!


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[[[[[ Domingo, Dezembro 19, 2004 ]]]]]

"Neste fim de ano eu gostaria que ninguém perdoasse ninguém à menos que merecesse.
Neste fim de ano eu gostaria que ninguém sentasse à mesa com alguém que não gostasse.

Neste fim de ano eu gostaria que ninguém presenteasse ninguém com presentes artificiais.

Eu realmente gostaria que este clima falso não estivesse pesando sob as mentes das pessoas que não se deixam enganar por momentos tramados e passageiros.

Este fim de ano eu gostaria que as crianças seqüestrassem papai Noel e o espancassem. Depois libertassem as renas do julgo desse capitalista.

E que lhes enviassem uma carta bomba, caso ele consiga fugir, quem sabe libertado por aqueles malditos duendes que se deixam escravizar pelo tirano Noel.

Gostaria que seu saco de presentes capitalistas, que corrompe a mente ingênua das crianças, fosse roubado por "crianças de rua" e que os presentes, produtos de furto, fossem distribuídos pelas favelas deste mundo.

Basta apenas querer enxergar para ver quantos cifrões se escondem por detrás daquela pança e daquela barba de maldito bom velhinho risonho."

Ari Soares
Retirado de Anarquismo
Feliz "Natal" a todos!
ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ "Me, Myself And I", 7:26 PM ]]]]]
[[[[[ Sábado, Dezembro 04, 2004 ]]]]]

Oi pessoal tudo bem com vcs?
Estou postando essa matéria ai, que foi baseada em uma "entrevista" por e-mail que eu fiz com uma aluna de jornalismo do RJ.
Essa é a matéria na integra, como ela me passou, sem edições.
Espero que gostem assim como eu gostei!
Valeu Tatiane e valeu Roberto!


Muito mais que visual
Movimento punk prega liberdade por meio de críticas à sociedade atual


Você está voltando para casa depois de um dia cansativo de trabalho. É normal que encontre pelas ruas pessoas diferentes, mas, bem perto de onde se localiza, está alguém que foge dos padrões normais considerados pela sociedade. Cabelo colorido, com o corte moicano (espetado), roupa velha e surrada e vestindo uma jaqueta com alguma frase condenando o Estado repressor. Você olha aquela pessoa de cima a baixo e, provavelmente, algo do tipo "rebelde sem causa" ou "coitado dos pais dessa figura" passa pela sua cabeça.
Após alguns segundos, agradecer pelos seus filhos, pelo menos fisicamente normais, é inevitável. O "estranho" passa e a você só resta continuar pensando em coisas que dizem respeito ao trabalho, problemas e família. A "figura", no entanto, segue pelas ruas e vira vítima dos olhares de outras pessoas. Na cabeça dela, que não é vazia, encontram-se idéias anti-racistas, anti-nazistas e contra o Autoritarismo. Achou interessante? Bem-vindo, então, ao mundo punk.
Era uma vez na Inglaterra um grupo de jovens pobres, desempregados e marginalizados. Na década de 70, no auge da Guerra Fria, eles decidiram começar a chocar a sociedade abusando do modo agressivo de se vestir e de agir. A idéia era não aceitar o fascismo, o nazismo, o racismo e o autoritarismo. Eles enxergavam a anarquia como a melhor "forma de governo" para a libertação de todos os povos. E como passar essa mensagem? Acertou quem disse pela música.
Letras simples e não viajantes e parte instrumental feita por uns três acordes. É daí que vem o preconceito dos metaleiros, por exemplo, que acreditam que quem curte este estilo de música só está optando pelo ritmo mais fácil de ser tocado. É Roberto Lares, 22, baixista da banda Teenager Hookers, que explica. "A mensagem tinha de ser passada sem sofrer distorções de pensamento. O estilo do som foi feito para não ser tocado em rádio, era uma música que não agradava a um determinado público".
Roberto, desde cedo, sempre se interessou pelo movimento, mas diz que não faz parte pelo fato de não ser anarquista, por exemplo. "As pessoas precisam entender que não há um meio-termo nessa história. Ou você é punk ou não". O estudante acredita que elegeu o pensamento como seu ideal de vida e ao tentar dar uma definição, ele é bem direto. "Punk é a maneira de pensar, não tem nada a ver com roupas ou com um corte de cabelo".


Outros tempos e outros meios

Mas quem são os novos punks? Antes um dos meios de passar a mensagem era distribuindo panfletos. Atualmente, são muitos os jovens que ainda se dispõem a fazer isso. Estudantes do Ensino Médio, Universitários e freqüentadores de shows e eventos culturais são o público alvo. Mas, atualmente, a Internet é um serviço que ajuda a atingir mais pessoas. O www.anarchypower.blogger.com.br é um bom exemplo. Criado por Myself* (nick), a página foi ao ar em Julho de 2003 e já recebeu mais de 10000 visitas, sendo 6500 de pessoas diferentes. A outra parcela corresponde aos que sempre retornam.
A maioria dos textos é tirada de outros lugares e editada pelo fundador, que busca sempre acrescentar a sua opinião. A fórmula agrada. "Gosto de textos bem opinativos. Acho que foi por isso que me identifiquei", explica o estudante de Redes de Computadores, Leandro Silva, 21. Segundo Myself, a idéia de criar uma página surgiu numa conversa com o amigo Raines. "A gente estava conversando sobre o movimento e vimos que não seria má idéia criar um blog, já que seria muito mais trabalhoso fazer um site".
Ele até hoje prefere não se denominar punk, mas diz que sua vida mudou em relação a suas atitudes que, agora, são muito mais conscientes do que antes. Pode-se dizer que Myself integra o grupo dos anarco-punks, aqueles que acreditam na anarquia como melhor forma de governo. Se é que se pode dizer isso, já que o significado da palavra é "ausência de poder". "Pensar assim, como dizem, é praticamente uma utopia, pois além de tudo somos vistos como loucos e drogados perante a maioria da sociedade", lamenta.

Pseudo-punks pelas ruas

Existem punks que, diferente de Myself, não são necessariamente anarquistas. Mas não ache que isso faz com que os mesmos devam ser excluídos do movimento. Atualmente, muitos se esquecem que por trás do punk existem idéias sobre como melhorar o mundo. "Crianças estão cortando os cabelos e usando correntes. Eles nem sabem nada sobre a ideologia", desabafa Roberto Lares. Essa é uma realidade que já pode ser vista nas ruas. Myself concorda. "Para eles fazer parte do movimento é curtir algo como Blink 182 e Dance of Days", explica.
E para piorar, muitas vezes a mídia passa a mensagem errada. A imagem do Skinhead, por exemplo, já foi associada ao movimento. O baterista da banda Teenager Hookers, Bruno Cavalcanti, acredita que tudo é passado negativamente. "Pra eles, o punk é sempre o cara bêbado, drogado e que sai batendo em todo mundo. Não sigo a ideologia, mas sei muito bem que a história é outra. É uma pena que ainda existam distorções como esta", lamenta.
É, parece que aquela figura que passou por você enquanto voltava do trabalho não tem mesmo a cabeça vazia. Talvez, além de lidar com idéias que para aqueles que tem como lema o "100% consumir" são insanas ou até inadequadas, eles precisem lutar contra imagens criadas, contra órgãos e um sistema tão poderoso que dá preguiça até de analisá-lo. Mas estes são pensamentos seus, porque o punk não é adepto do comodismo.
Roberto Lares diz que muitas pessoas tentam convencê-lo de que não adianta panfletar, mas continua apenas pela consciência de que fez a sua parte. "Faço o que posso. Além do mais, não me vejo pensando igual a todo mundo". Myself lamenta o fato de atualmente poucos punks acreditarem que a realidade pode ser modificada, mas acha que os verdadeiros são esperançosos. "É preciso lutar contra todo o mal que existe nessa sociedade e contra esse sistema que está nos atolando até o pescoço". Que mal há em acreditar?


PS- O show do Bad Religion e do Pennywise aqui em SP, foi simplesmente o show da minha vida...quem foi deixe um comentário também!
ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ "Me, Myself And I", 12:25 PM ]]]]]