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[[[[[ Sábado, Abril 30, 2005 ]]]]]

Olá pessoal, como vão indo?
Espero que bem...
Bom esse texto eu realmente não lembro de onde tirei...só digo que ele realmente é MUITO bom e que vale o tempo perdido para lê-lo...
Como ele é um pouco grande, vou dividi-lo em algumas partes as quais vou postando todo fim de semana (sem exceções).
Até mais e deixem suas opiniões.
Obrigado!

"É uma característica estranha da tradição anarquista ao longo dos anos que parece frequentemente criar personalidades bastante autoritárias, que legislam o que a Doutrina É, e que com vários graus de fúria (por vezes imensas) denunciam aqueles que diferem do que eles declararam ser os Grandes Princípios. Estranha forma de Anarquismo" --Noam Chomsky


Anarquismo: uma ideologia ou uma metedologia?
Dave Neal

Um problema que permanece por ser resolvido com o movimento anarquista interfere com a própria natureza dos Anarquistas. Se procurastes por estas páginas, provavelmente saberás que o cisma mais conhecido entre Anarquistas é o conflito "Anarquismo Social VS Modo de Vida Anárquico", com os apoiantes destes defendendo que a luta de classes é inútil, infrutífera e irrelevante e com os primeiros declarando que, estes não são realmente Anarquistas, mas sim burgueses exibicionistas.
Para o internauta casual poderá parecer um debate inútil, até mesmo ridículo. E em muitos pontos poderás até ter razão!! O debate "Anarquismo Social VS Modo de Vida Anárquico" desenvolve-se em torno da idéia do que afinal significa ser Anarquista.

No entanto, subjacente a este debate está um assunto menos óbvio, nomeadamente se o Anarquismo é uma ideologia -- um conjunto de regras e convenções a que teremos que nos restringir, ou se o Anarquismo é uma metedologia -- uma maneira de atuar ou uma tendência histórica contra a autoridade ilegítima. Acredito que a este debate está latente o dilema "Social VS Modo de Vida" e tentarei apoiar-me nele.

Chamarei aos Anarquistas ideólogos, ANARQUISTAS, em letras maiúsculas, e aos Anarquistas metodologista, anarquistas, em letras minúsculas, para distinguirem de quem estou a falar. Até chegarmos a conclusão, um Anarquista pode ser qualquer um deles.

O Anarquismo claramente tem um certo conceito. Por exemplo no nosso dicionário significa:

1-A teoria de que todas as formas de governo são opressivas e indesejáveis, e devem ser abolidas;
2-Resistência ativa e terrorismo contra o Estado, como usado por alguns Anarquistas; 3-Rejeição de todas as formas de controle coercivas e a autoridade.

Assim, segundo esta definição, um Anarquista é aquele que considera todas as formas de governo opressivas e indesejáveis e rejeita todas as formas de controle coercivo e autoridade. Alguém que não obedeça a este critério não é um Anarquista.
Isto apóia a idéia de que a Anarquia é uma ideologia -- um conjunto consistente de idéias baseados em princípios base. Mas quizera dizer que toda aquele que disser que é Anarquista É, de fato, Anarquista?

Claro que não, o que forma o elemento principal do argumento para o Modo de Vida "Anárquico", bem como a oposição Anarquista contra a afronta intelectual que é o "Anarco"-Capitalismo.
Mas há uma diferença entre a a objeção ideológica e a oposição metedológica. Para o ANARQUISTA ele diz: "X não é Anarquista", com a implicação de que ele sabe do que trata o Anarquismo. Para eles, não há necessidade de demonstrá-lo ou prová-lo -- o fato de ELES o dizerem é suficiente.

Para o anarquista, o Modo de Vida "Anárquico" e o "Anarco"-Capitalismo são rejeitados, porque, metodologicamente, não são as maneiras de alcançar o Anarquismo. Eles usam os meios errados para obter o mesmo fim -- nomeadamente a felicidade humana.

Vêem as diferenças nas aproximações?

Método versus Loucura

O ANARQUISTA sublinha que a conformidade ideológica é o pré-requisito para a revolução social -- por outras palavras, engole as doutrinas A, B e C e consequentemente és um ANARQUISTA. O seu plano de ação envolve: 1) criar uma organização ANARQUISTA Central; 2) educar (i.e. endoutrinar) a classe operária para com os dogmas do Anarquismo; 3) construindo assim um movimento de massas; 4) criar uma revolução social.

O ANARQUISTA sente-se confortável com a idéia de um manifesto, uma plataforma base, ou outra doutrina base como o meio de espalhar a "Boa Nova" - a sua ênfase é união na ação e no pensamento, e a conformidade ideológica como elemento principal de uma organização eficaz.
O anarquista, contudo, rejeita tudo isto. Ele sustenta, ao invés, que: 1) as organizações anarquistas não podem ser criadas se não forem exigidas; 2) pessoas endoutrinadas não são pessoas livres; 3) um movimento baseado numa autoridade central (p.ex. como a organização ANARQUISTA central) e nas massas de seguidores "educados" por essa organização, irá ser um movimento elitista e político e não um movimento popular e social; 4) A revolução social será invariavelmente traída por tal esforço, e tornar-se-à numa revolução política logo assim que os ANARQUISTA chegarem ao poder.

Isto não é uma diferença semântica; pelo contrário, ataca precisamente o núcleo do próprio movimento, e as origens deste debate remontam precisamente à fundação da I Internacional.
Quem está certo? Eu defendo que a metedologia do Anarquismo é mais importante e vital que a sua ideologia. Isso é porque eu reconheço que a linguagem, particularmente ao serviço dos ambiciosos, é sistematicamente adaptada para servir as elites de poder.

Um grupo poderia apelidar-se de ANARQUISTAS, mas isso não faria deles anarquistas pois não? Farias bem se não acreditasses nas suas palavras cegamente, mas sim abordá-los com as tuas próprias intenções.
Os dois modelos de luta da História são o modelo Marxista -- a idéia de uma vanguarda política guiando as massas para a sociedade socialista; e o modelo Bakuninista -- a idéia de rejeição de toda a autoridade política e usando as próprias ações populares como a maneira de realizar o socialismo no "aqui e agora" ao invés de esperar por um futuro incerto onde isso acontecerá.
Até à data, o modelo Marxista tem dominado a esquerda radical durante cerca de um século, apesar de recentemente, com o colapso da URSS, observarmos a atmosfera ideológica desvanecer-se pela primeira vez em décadas. Isto é porquê é que este debate é tão oportuno e tão crítico se queremos que o Anarquismo evolua e cresça.

A minha principal oposição ao Anarquismo ideológico é que depende não na liberdade de expressão e em ações diretas, mas sim em obediência, passividade, e conformidade para com um fator exterior: quer seja um manifesto, plataforma base ou outro mecanismo de controlo. Posteriormente concentra-se em criar uma organização central topo-base como o meio de expandir o Anarquismo para o exterior dessa organização.

É lúdrico assumir, todavia, que podemos usar métodos não-livres para atingirmos uma sociedade livre. Semelhantemente, é ridículo tentar criar uma organização popular e libertária antes de termos as massas seguidoras! O que teríamos era uma elite especial de ativistas, que, sem surpresa seria semelhante à situação atual da esquerda atual!
Além disso, como a pureza ideológica é o mais importante para os ideólogos, eles acabam por: 1) discutirem eternamente sobre pormenores insignificantes; 2) caçar e castigar os hereges; 3) anular contribuições positivas de outros possíveis companheiros devido a este elitismo.

O Anarquismo não é "qualquer coisa serve" -- ele quer dizer algo. Porém, um operário não tem que ficar "endoutrinado" para ser "apropriado" para o movimento. Noam Chomsky dá uma explicação muito explícita da visão metedológica do Anarquismo quando diz que para ele o Anarquismo é " a tendência histórica dos povos para se rebeliarem contra autoridade ilegítima".
Por exemplo, quando os marinheiros de Kronstadt se revoltaram contra os Bolcheviques em 1921 estavam, sem o saberem, a comprometerem-se com o Anarquismo metedológico -- ação popular contra a autoridade ilegítima -- pois os Bolcheviques tinham traído a revolução ao ficarem no poder, apesar de afirmarem que ele estava com o povo.

ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ Myself, 11:49 PM ]]]]]
[[[[[ Domingo, Abril 17, 2005 ]]]]]

Militância e Disciplina Libertária é:
Ser senhor de si mesmo;
Prezar pela união dos anarquistas reunidos na sua organização;
Desejar o triunfo das idéias revolucionárias;
Assumir compromissos e cumpri-los pelo triunfo da organização;
Pontualidade Sempre;
Assiduidade Sempre;
Abrir mão das vaidades, dos interesses pessoais, de tudo que é fugaz e alienante, em nome do triunfo das idéias coletivas;
Respeito Mútuo, combate ao sectarismo, diálogo amigável, evitando polemicas desnecessárias por questões de ego e vaidosismos (característica burguesa e seguido à linha pelo socialismo autoritário);
Aprimorar os conhecimentos teóricos coletivamente;
Combater as imposições e o aparelhismo de todos os meios sociais;
Destruir, seja pelas idéias, seja pela violência, todos os tipos de autoridades e segmentos anti-democráticos, como stalinistas, integralistas/fascistas, nazistas, etc

Retirado de MAPM

ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ Myself, 7:07 PM ]]]]]
[[[[[ Sábado, Abril 02, 2005 ]]]]]

Questionando (a fundo) a existência de deus

Aí vai uma linha de raciocínio, aonde é simulado um possível debate entre um agnóstico ainda "em fase de amadurecimento" e um crente "bem esperto".

Agnóstico: Se o universo veio de deus, de onde veio deus?

Crente: Deus é eterno e não teve início.

Agnóstico: Ora, mas se deus não teve início porque não poderia o universo não ter tido um início?

Crente: Nada no universo se move sem que antes algo dê um primeiro empurrão. Somente algo maior que o próprio universo poderia dar esse primeiro empurrão.

Agnóstico: Discordo quanto a ter que ser maior. A ignição de uma bomba atômica tem poder muito menor que o da bomba em si, pois a explosão resultante é um processo em cadeia, assim como a expansão do universo.

Crente: Mas alguém montou a bomba atômica. Quem dispôs a primeira massa de maneira tal que produzisse o big-bang? Isso é deus.

Agnóstico: Não poderia o universo ter vindo do nada?

Crente: Não, porque segundo diz a própria ciência, no universo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Só quem poderia criar então seria um ser superior, de outra dimensão.

Agnóstico: E se a primeira massa tiver ficado estática durante... ops... de fato se essa massa for eterna não tem como definir o tempo que ela ficaria estática antes de explodir, afinal seria uma eternidade, logo a causa dessa explosão já teria acontecido antes.

Crente: exatamente!

Agnóstico: Mas diante dessa lei de que "nada se cria, nada se perde" podemos dizer então que o universo no mínimo é eterno a partir de sua criação, pois nunca nada se perderá. Mesmo a energia dissipada das estrelas estará vagando pelo espaço. Penso então que cientificamente falando seria mais plausível a teoria da eterna contração e expansão do universo, aonde o universo de fato não tem início nem fim e sempre "esteve lá", se movendo. Se essa teoria existe significa que ainda não sabemos se universo teve origem, logo continuamos agnósticos.

Alguém tem algo a adicionar?

ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ Myself, 12:51 AM ]]]]]