A Verdade existe para quem acredita nela
O que é a verdade? Quantas vezes nos vemos acreditando em muitos conceitos e pensamentos que mais tarde descobrimos que aquilo era bem diferente do que estávamos acostumados a ver?
Muitas vezes a "ciência" nos provava por meio de estudos ilimitados e experimentos "científicos" que certas coisas seriam improváveis e até impossíveis de serem realizadas e, mais tarde, se mostrou errada.
Estamos envoltos neste questionamento todos os dias. A verdade é que a verdade está em cada um de nós.
Cada pessoa possui sua verdade, de acordo com suas vivências, conhecimentos e experiências, e tudo aquilo em que uma pessoa acredita passa a ser verdade.
Há uma verdade que qualificamos como invariável, que nos mantém em um círculo vicioso. Muitas coisas nos tornam cegos a outros conceitos e, a partir disso, deveríamos parar de temer a verdade.
O homem muitas vezes prefere ser obscuro e permanecer em conceitos rígidos por medo que a Luz da verdade consiga desmoronar todo um mundo e regras que têm criado.
O fato é que não podemos parar no tempo e nos fechar a novas possibilidades e idéias, pois o que acreditamos ser correto hoje, amanhã poderá ser provado o contrário.
Ramon Ramone ¿ 04/Maio/2006
ANARKOMENTÁRIOS:
13 de maio: A mentira da abolição
A história nos engana/ Dizendo pelo contrário/ Até diz que a abolição aconteceu no mês de maio/ Comprovada sua mentira/ E que da miséria eu não saio/ Viva 20 de novembro/ Momento pra se lembrar/ Não vejo em 13 de maio nada pra comemorar...
Assim começa a ladinha do combativo Mestre Moraes e é também o começo da desconstrução da mentira que foi e que é a abolição da escravidão na história do Brasil. Mentira esta, construída não por acaso pelas mesmas mãos ensangüentadas do branco-europeu que outrora matava nossos ancestrais, pretos e caboclos.
A história da escravidão na Humanidade, é quase tão antiga quanto ela própria. Relações sociais de servidão, construída a partir da co-relação de forças entre conquistadores e conquistados, dominadores e dominados, são registradas ainda nos primórdios do que hoje reconhecemos como civilização. A antiguidade clássica é o melhor exemplo dessa forma de escravidão, a Grécia e a Roma antiga, bases da civilização européia foram construídas sobre o trabalho escravo.
Contudo a forma de escravidão praticada no Brasil e no resto das Américas era praticamente inédita, baseada no subjulgamento de uma raça em razão da cor da pele.
De inicio a escravidão dos povos indígenas (povos originais destas terras) serviu de suporte a primeira forma de exploração. No entanto com o fortalecimento do tráfico negreiro, legalizado pelo império português e com o seqüestro dos africanos sendo cada vez mais lucrativos para os ¿selvagens brancos¿, a mão-de-obra indígena foi praticamente abandonada e tomando corpo o etnocídio dos povos originais, que foram exterminados quase que por completo.
E foi, com os primeiros latifúndios da cana-de-açúcar, que a mão-de-obra negra se consolidou no Brasil como a principal força de trabalho, barata e lucrativa para os senhores de engenho e para o império colonial.
No entanto a luta e a resistência do povo preto, colocou a prova o sistema escravocrata, quilombos como o de Palmares encravado território colonial entre os estados de Pernambuco e Alagoas, com mais de 20 mil habitantes e que durou quase 100 anos resistindo as mais diversas investidas; insurreições e revoltas como a dos Malês que colocou a Bahia nas mãos dos negros mulçumanos nagôs e hauças, operações-tartaruga, e até mesmo o banzus, infanticídios e suicídios, foram métodos de luta utilizados pelos negros escravizados contra o inimigo racista.
Assim como a tomada de poder pelos negros ex-escravos no Haiti, e a luta dos abolicionistas aqui no Brasil, valendo destacar a figura de Luís Gama; trouxe medo às elites brancas, que como paliativo, começou a fazer algumas ¿concessões hipócritas¿, como dá alforria aos escravos que prestavam serviços militares, a lei do ventre livre que nunca chegou a ter nenhum valor, já que dava aos senhores a tutela dos escravos libertos até os 21 anos e a mais descarada de todas a lei do sexagenário, que dava liberdade aos cativos com mais de 60 anos, o que era quase impossível de acontecer pois a média de vida de uma pessoa escravizada nem chegava perto disso e a compra de um outro escravo novo era mais lucrativa para os senhores do que manter um velho.
Chegando finalmente a lei áurea, assinada pela princesa Isabel em 1888, que não foi portanto uma medida paternalista das elites brancas locais e muito menos um processo de tomada de ¿consciência humana¿ por parte desta mesma elite. Assim, como não teve apenas como motivo as pressões econômicas por parte das elites econômicas internacionais principalmente a Inglaterra, como chegam a afirmar alguns historiadores demasiadamente economicistas.
Sendo fruto sim de um crescente processo de luta do povo negro contra a escravidão que sofria na pele. Prova disso foi o processo após a abolição, como a lei de propriedade da terra, na qual para ser dono de uma terra, você tinha que provar que a comprou. E o tratamento que foi dado aos ex-escravos, que foram ¿das senzalas para as favelas¿.
E hoje, mais do que nunca o 13 de maio é firmado como o Dia de Denúncia à Discriminação Racial, encravado na história contemporânea do Brasil pela luta incansável dos companheiros e companheiras do Movimento Negro e é uma data em que lembramos também o nascimento do negro e anarquista Lima Barreto, ícone da literatura brasileira, boêmio e militante. Mais uma referência importante na luta de hoje contra supremacia branca e o estado burguês. Hoje encarnamos Lima Barreto, Zumbi, Dandara, Luiza Mahin, Pacífico Licutan, Lucas da Feira, Domingos Passos e todos os nossos ancestrais, com coragem e ousadia para enfrentar o mesmo inimigo que se perpétua no poder até os dias atuais.
Iremos até o fim... para construir o poder negro e popular, horizontal e autogestionário! Terminando a ladainha.
...Muito tempo se passou/ E o Negro sempre a lutar/ Zumbi é nosso herói (colega véi)/ Em Palmares foi senhor/ Pela causa do homem negro/ Foi ele quem mais lutou/ Apesar de toda luta (colega véi)/ O negro não se libertou/ Camará/ Iê! Viva Palmares!.
FORA RACISTAS, AQUI TEM DÊNDE!
ANARKOMENTÁRIOS:
Barrados na galeria
Preconceito contra os 'emos': eles são proibidos em lojas do Centro
Sexta-feira, duas horas da tarde. Adolescentes vestindo camisetas de suas bandas favoritas começam a chegar na Galeria do Rock, no Centro de São Paulo. Eles não possuem cortes moicanos ou cabelos volumosos. A franja caída no rosto é um dos códigos de identificação dos emocores ou 'emos'. Garotos a garotas que gostam de um som levemente pesado e adoçado com letras românticas. Em pequenos grupos, namoram nos corredores, mostrando diferentes possibilidades de se relacionar. Seriam apenas os hormônios desenfreados?
O JT procurou o síndico Antônio Carlos Souza Neto para a realização desta reportagem. A resposta, por telefone, foi taxativa: "Vocês podem fazer matéria todos os dias que quiserem na Galeria do Rock, menos às sextas-feiras. Dissemos 'não' a outros jornais e equipes de televisão. Não queremos incentivar a presença dos emos por aqui". A autorização negada apenas serviu como motivação para desvendar o porquê da restrição.
"Eu não gosto da presença desses emos aqui. Eles não compram discos e atrapalham o movimento. Sem contar a mania que têm de ficar se beijando na porta das lojas", comenta uma comerciante, que pediu para não ser identificada. Outra loja chegou a pregar na vitrine o cartaz com os dizeres: "proibido estacionar emos e emas". Mas nem todos se sentem incomodados com eles. "Não tenho nada contra os emos. A Galeria sempre foi freqüentada por punks, metaleiros e até a turma do hip hop sem que houvesse qualquer tipo de censura. Muitos deles nem compravam disco. Porém, como gostam de música, quando começam a trabalhar voltam para levar alguma coisa", justifica o comerciante Luiz Calanca.
Os emocores não acreditam que serão "personas non gratas" pelo condomínio por tempo indeterminado. "Aqui não é como um shopping? Não entendo o motivo da irritação", diz Henri Baldiezo, 16 anos. "Tratar com diferença quem gosta de emocore só alimenta a violência. Eu apanhei de um skinhead outro dia, mas não foi na Galeria", denuncia Thiago da Silva, 19 anos.
Retirado de:
Jornal da Tarde Online
ANARKOMENTÁRIOS: