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Ateus.net – O Portal do Ateísmo

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HYLARIO!, Teatro das Idéias, Blog da Gaby.

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[[[[[ Sábado, Fevereiro 24, 2007 ]]]]]

Entre linhas e a Barbie...

É incrível quando nos tempos de ócio excessivo, a gente se pega fazendo coisas até então inimagináveis. Não que seja o cúmulo dos cúmulos, ou o fim do mundo, mas é teoricamente besta, o fato de se pegar olhando as ¿incríveis matérias¿ de uma revista para adolescentes. Aliás, para garotas adolescentes que vivem em função do que dizem em pelo menos 50 páginas de baboseiras.
Aquelas revistas em que as matérias destaque são ¿como conquistar seu gato em 10 dicas¿ ou ¿como ter aquele corpinho para o verão¿.
Aquelas em que realmente ler em cinco minutos não se trata de rapidez e sim de inutilidade!
Enfim...
Um dia desses, olhando uma dessas revistas me deparo com coisas que ninguém sabe se é pra rir ou pra chorar.
Afinal, qual é a graça em pagar quase 5 reais por uma revista onde a cada 2 páginas tem uma propaganda de roupa, ou de sapato?
Onde as matérias giram em torno de construir uma pessoa diferente do que cada um deveria ser.
As cores da moda, os perfumes mais vendidos, os seriados da TV americana que fazem sucesso aqui, as fofocas dos artistas, seu namoro vai pra frente?, ele é afim de você?, regimes milagrosos, fique anoréxica em quinze passos, meus micos...
Nossa, é muita matéria mesmo né?
Ué, eu acho que falta algo, não falta? Falta sim.
Quer dizer, eu do fundinho do meu coração, não me importo nem um pouco com quem lê essas asneiras. Nem me empenho em manter um assunto, afinal, que assunto ter? Perguntar sobre a situação do Brasil, risco-país, congresso, floresta amazônica, presidente Lula ou João Hélio?
Mas enfim, ainda vivemos num país, diga-se de passagem, democrático onde cada um é livre pra fazer o que bem entender, mas entre fazer (no caso ler) o que bem entender, e ler algo que realmente te dará um ponto de vista que não fique entre São Paulo Fashion Week e o quarto rosa-bebê com estrelas pink de dois tamanhos, algo que vá muito além dos próprios cabelos...

Texto By Rah (L)

ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ Myself, 1:14 AM ]]]]]
[[[[[ Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007 ]]]]]

Devaneios De Um Lunático Maldito - Como Davi E Golias Do Rock N' Roll
por: Nathan

São milhares e milhares de pessoas juntas, digamos 40 num centímetro quadrado, aquele calor humano, aquela espera enorme, aquela claustrofobia desgraçada e aqueles caras que insistem em ficar sem camisa mostrando que sabem suar mais do que uma porca no cio, como se aquilo fosse um campeonato. Geralmente é assim em show grande - entenda por "show grande" aquele que você junta dinheiro por três meses para comprar o ingresso com preço de meia e ainda assim tem que pedir dinheiro emprestado para o primeiro azarado que está na sua frente. Mas afinal, quem nunca teve um espasmo de alegria ao saber que sua banda favorita vinha ao Brasil e em seguida disse a célebre frase: "Nem que eu faça ponto na Augusta, eu arranjo dinheiro pra ir no show dos Não-sei-o-que-lá Boys", que atire a primeira carteirinha da Umes.

É assim que se ganha dinheiro, abusando dos pequenos fãs pobres e coitados que fazem de tudo para ver de perto a imagem que muitas vezes habitou seus sonhos em uma noite fria. Mas ninguém se sente culpado por gastar tanto dinheiro, pois ver seu ídolo de perto é uma bela desculpa para torrar o salário todo e não se sentir nem um pouco consumista, é questão de necessidade mesmo. Cantar em coro, com milhares de fãs ensandecidos, as músicas que você mais gosta é algo que pouca gente esquece. O rock faz isso com as pessoas, transforma todos nós em mulher de malandro: "me bate que eu gosto, ai, ai!". Mas também não precisa espancar né?

Todos deveriam seguir o exemplo dos Rolling Stones e realizar shows na praia, no campo, na fazenda ou até numa casinha de sapê, desde que não cobrassem nada por isso. Seria o fim das filas, o fim da mendigagem por ingressos, o fim das guerras no Oriente Médio... tudo bem, me exaltei, mas voltando a realidade... Muitos tubarões da indústria iam falir com isso também, e nós não queremos isso, ou queremos?

Do outro lado, no esgoto do submundo temos os shows underground que fazem a alegria de muitos com muito pouco. Por "underground" entenda "bem undergrond mesmo", nada de bandas semi-famosas. Em lugares como esses podemos encontrar pessoas alucinadas por bandas que você nunca ouviu falar e provavelmente nunca ouvirá. Mas o fato é que lá podemos ter todos os fatores dos shows grandes a preços bem mais camaradas. Não raro, encontramos pessoas que mal sabem quem vai tocar e estão lá apenas para se divertir com os amigos, o que não ocorre em shows ultracaros dos quais muitas vezes os fãs se vêem obrigados a irem sozinhos por não acharem companhia disposta gastar tanto.

Um lugar onde as bebidas são mais baratas, o chão é grudento de cerveja e pessoas se arremessam do palco caindo de boca depois ainda saem dançando, parece o paraíso pra quem curte o velho rock ¿n roll sujo e malvado. O mosh é um medidor de grandeza de shows, quando você pode exercer essa modalidade olímpica sem o infortúnio de seguranças significa que o show é pequeno, logo "underground", quando escapa um ou outro mosh é médio e quando você fica a 60 metros do palco, separado pela área vip e não pode sequer imaginar um salto daquele palco enorme significa que é grande.

Ambos os shows têm suas qualidades, os pequenos a vantagem do preço, já os grandes a vantagem do espetáculo fenomenal e exagerado. Cabe a cada um de nós determinar o modo como quer se divertir, pois diversão pode ser o único ponto em que os dois tipos se assemelham. Embora em muitos casos os pequenos tacam uma pedra na cabeça dos grades e se mostram muito mais eficientes nesse quesito.

ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ Myself, 3:40 AM ]]]]]
[[[[[ Domingo, Fevereiro 04, 2007 ]]]]]

A história do Oi! e dos Skinheads

O movimento skinhead apareceu no final dos anos 60, na Inglaterra. Eles surgiram como uma evolução de outro movimento, os mods. Os mods, abreviação de "modernists", eram uma galera que deu muito o que falar no início dos anos 60, que curtia lambretas, música negra norte americana (soul, r&b) e jamaicana (ska), roupas alinhadas (o visual deles era muito peculiar para a época, e, apesar de imitado, quase nunca é reproduzido com fidelidade hoje), etc... Os mods brigavam com os Rockers, que curtiam jaquetas de couro, motocicletas, rock anos 50 e topetes.

Essas brigas sempre davam muito o que falar na imprensa, mais ou menos como aconteceu alguns anos atrás em SP, quando houve as tretas entre "skatistas" e "cybermanos"... Com o tempo, o Mod se dividiu entre o pessoal mais intelectual, refinado, "cool"; e o pessoal mais das ruas, mais proletário, briguento. Os mais "artistas", apelidados de "Mods de escola de arte", acabaram dando origem ao psicodelismo (membros de bandas como The Who e Pink Floyd eram mods antes de virarem "psicodélicos"). Os mais "rueiros" (chamados "hard mods"), exageraram o visual simples do mod original, deixando o cabelo cada vez mais curto e adotando as botas e suspensórios como uniforme, enfatizando sua condição de classe trabalhadora.

Além disso, o ska, que ia aos poucos se transformando no reggae, passava a ser a trilha sonora desses "hard mods", frequentadores de bailes onde rolava música da jamaica. Em 1968, eles já eram muitos, e estavam causando muita confusão, brigando em estádios de futebol e nas ruas. A imprensa apelidou-os de "skinheads" (cabeças raspadas) e eles assumiram o nome.

O skinhead original não tinha nada a ver com política. O negócio deles era curtir som (reggae/ska), visual, tretas (no estádio de futebol ou contra hippies e gangues de motoqueiros), futebol, etc... Não havia racismo também, pois muitos skins eram negros, e mesmo os brancos ouviam apenas música negra e frequentavam os mesmos bailes dos jamaicanos. Isso durou até o começo dos anos 70, quando o movimento quase acabou.

O pessoal ou largou por ter ficado mais velho, ou mudaram de movimento (novos estilos surgiram a partir do skinhead - como o Suedehead, mais preocupado com a aparência e os bootboys, hooligans de futebol). Até que em 1977, aproximadamente, impulsionado pela explosão dos movimentos (punk, new wave, volta do mod e do rockabilly, etc), começaram a aparecer novos skins, e alguns antigos voltaram à cena. Alguns ainda eram fiéis ao "espírito de 69", enquanto outros eram influenciados pelo punk, misurando elementos punks ao visual skinhead tradicional.

No final de 77, começo de 78, acontece um racha no punk, semelhante ao que houve no mod nos anos 60: parte do movimento segue um direcionamento mais "artístico" (originando o pós punk, new wave, gótico, etc), e outros pegam mais o lado agressivo, rueiro e suburbano (o "Street Punk", mais tarde apelidado de "Oi!"). Essa leva de punks mais "crus", têm como guia o Sham 69. Jimmy Pursey, vocal do Sham, era skin no começo dos anos 70, e a banda tinha um grande público skinhead. Desta forma, começa a se multiplicar uma nova geração de skins, influenciados pelo punk e ouvinte de punk rock, com um visual menos bem arrumado do que os skins originais. Os skins "tradicionais" diziam que estes eram apenas "punks carecas", pois não tinham noção alguma sobre as tradições do skinhead.

Eis que os skins voltam a ser uma visão comum nas ruas de Londres, e em shows punks. No final dos anos 70, surge o movimento 2 Tone. O 2 Tone ("2 tons", ou seja, branco e preto, anti-racismo) era o nome dado à nova geração de bandas de ska (Madness, Specials, Selecter, etc) e seus seguidores. As bandas 2 Tone eram influenciadas pelo som skinhead original (Ska e reggae antigo), inclusive tocando covers das favoritas dos bailes de 69. De qualquer maneira, o 2 Tone levou muitos skins de volta às origens musicais, visuais e multi-raciais do movimento.

The Specials, principal banda da 2-Tone Mas nem tudo eram flores, e enquanto a 2 Tone estava fazendo um ótimo trabalho combatendo o racismo e o fascismo através do ska, a extrema direita (em especial o "National Front") começava a se aproximar dos skinheads mais ignorantes. Enquanto o Sham 69 e outras bandas street punk com fãs skins tocavam em festivais chamados "Rock Against Racism" (rock contra o racismo), organizados por partidos de esquerda, o National Front cria sua própria organização, o "Rock Against Communism", para apoiar bandas de extrema direita.

Desta maneira, nasce o "Skinhead Nazista", tão conhecido pelo mundo todo. No entanto, a maioria dos skins continuava sem um direcionamento político definido, longe dos fascistas. Sabe-se que nesta mesma época (1979), havia uma banca de skins em Londres chamada "S.A.N."- "Skinheads Against Nazis", que queria eliminar a influencia dos neo-nazistas. Bandas de punk rock com membros skins, como os Angelic Upstarts, eram assumidamente esquerdistas e se opunham ao National Front com veemência.

Mas como é de costume, a mídia sensacionalista começa a chamar todo skinhead de nazista, e o que é pior, todo jovem nazi de "skinhead". Com isso, a extrema direita só conseguiu novos adeptos e os skins "White Power" aumentam em tamanho e importância. Mas mesmo assim estavam longe de ser maioria. Em 1980, o punk estava em baixa, tendo sido transformado em new wave e vendido em butiques. Mas nos subterrâneos, muitas bandas de "punk real" estavam na luta. A maioria delas era influenciada pelo Sham 69 e outras bandas street, e faltava um nome para uní-las.

Eis que o jornalista Garry Bushell, chama este novo movimento de "Oi!", por causa da música dos Cockney Rejects "Oi! Oi! Oi!". O Oi! tinha como ideal ser uma revitalização do punk agressivo, realista, das ruas, sem a comercialização e a suavização da new wave. Era a música que segundo Bushell, unia "punks, skins e toda a juventude sem futuro". Logo organizaram a primeira coletânea Oi!, com os Cockney Rejects, 4 Skins, Angelic Upstarts, Peter & the test Tube Babies, Exploited e outras bandas, formadas por punks, skins e "normais".

Foram feitas várias outras coletâneas Oi! a partir daí, e muitas bandas apareceram. Então, apesar de no Brasil as pessoas pensarem que Oi é "som de careca", ou que bandas Oi devem ser de direita, isto não passa de preconceito. O Oi! nada mais é do que um estilo de punk rock de volta às raízes, mais ligado à rua, ao realismo social. Nada a ver com a extrema direita. A maior prova disso é a adesão original de bandas como os U.K. Subs ao Oi!, e o fato do Business (uma das maiores bandas Oi), tocar um cover do Crass. Enfim, a grande maioria das bandas ou era de esquerda ou era apolítica. Entre as bandas Oi originais, não havia nenhuma que fosse nazi.

Os nazis, como já disse, estavam envolvidos com o R.A.C., e se o som deles era semelhante ao Oi, as idéias certamente não eram. Com o tempo, a mídia passou a explorar cada vez mais o skinhead, e o Oi!, que já era a música oficial da maioria dos skins acabou sendo associado ao fascismo. Com isso, muitas bandas punks (com medo de terem o filme queimado) se distanciaram, deixando o termo Oi! principalmente na mão dos skinheads.

Mas de qualquer maneira é absurdo, como costumam fazer por aqui, usar a palavra Oi! querendo dizer skin, ou careca (tipo "fulano de tal é oi!"), e boicotar determinadas bandas apenas por serem Oi. Oi! é um estilo de música baseado na união e na temática direta e agressiva, não uma ideologia política. Apesar de haver muitas bandas Oi! nacionalistas e formadas apenas por skinheads, uma banda pode ser Oi! sendo 100% punk sem ter nada a ver com nacionalismo, extrema direita ou nada disso, basta acreditar nos ideias originais da coisa.

Resumindo, Oi! é apenas mais um nome para o punk, ou melhor, para o "street punk", não devendo ser confundido com uma ou outra postura política. Nos Estados Unidos, muitas bandas de hardcore foram influenciadas pelo Oi! e tinham membros skinheads (não nazis), como era o caso do Agnostic Front, Cro-Mags, Iron Cross, Warzone, etc...Daí o motivo de muita gente (especialmente até alguns anos atrás) chamar essas bandas de nazistas, injustamente. Algumas delas eram patriotas, mas não eram racistas, nazistas ou nada do tipo.

Hoje em dia, há pelo menos 3 tipos de skinhead pelo mundo afora (no Brasil a cena é um pouco diferente).

1-A maioria deles são os chamados "tradicionais", que acreditam nos valores originais do skinhead. Muitos são o que se chama de "Espírito de 69", ou seja, procuram reproduzir exatamente os skins dos anos 60 e ouvem apenas reggae e ska. Outros são mais ligados ao Oi, e a maioria gosta tanto de Oi!, quanto de punk 77, reggae, ska, soul, etc... A política fica em segundo plano, e todos são contrários ao racismo.

2-Há também os skins engajados mais à esquerda, que podem ser "Sharp" (muitos se dizem apolíticos ou até mesmo nacionalistas, mas são radicalmente anti-racistas e confrontam os nazis face a face) ou "Rash" (skins anarquistas ou comunistas). Estes, convivem mais ou menos bem com os tradicionais, e ouvem as mesmas coisas, mas há um certo conflito, pois os "trads" chamam eles de fanáticos e eles chamam os "trads" de alienados... O Sharp foi muito grande até a metade dos anos 90, mas de lá para cá começou a diminuir. Os mais politizados aderiram ao Rash, e os que achavam que o Sharp deveria ser apolítico, passaram a se denominar tradicionais, ou apenas skinheads. O Rash e os Redskins (skins comunistas) são fenômenos grandes em alguns países como França (onde existem em grandes números e bem organizados desde o início dos anos 80), Itália, Espanha, Alemanha e em menor grau nos Estados Unidos, Canadá e no resto da Europa.

E...
3- Os skins nazis, que em geral usam visual diferente, curtem som diferente (puxado para o hard rock) e frequentam baladas diferentes. São igualmente detestados pelos tradicionais, sharps e rash.

Retirado de: Angelfire

ANARKOMENTÁRIOS:
[[[[[ Myself, 5:41 AM ]]]]]